17 janeiro 2010

simplesmente ADORO!



What is love but the strangest of feelings?
A sin you swallow for the rest of your life?
You’ve been looking for someone to believe in
To love you, until your eyes run dry

She lives on disillusion road
We go where the wild blood flows
On our bodies we share the same scar
Love me, wherever you are

How do you love with fate full of rust?
How do you turn what the savage take?
You’ve been looking for someone you can trust
to love you, again and again

How do you love in a house without feelings?
How do you turn what that savage take?
I’ve been looking for someone to believe in
Love me, again and again

She lives by disillusions close
We go where the wild blood flows
On our bodies, we share the same scar

How do you love on a night without feelings?
She says “love, I hear sound, I see fury”
She says “love’s not a hostile condition”
Love me, wherever you are

Love me, wherever you are
Love me, wherever you are
Wherever you are

Wire to Wire - Razorlight

[por hoje ser] Domingo



Veja, meu bem
Que hoje é domingo
Domingo eu não choro
Domingo eu não sofro
Domingo eu sou de paz
E alegria
Tristeza, hoje eu não estou
Saudade, volte outro dia
Domingo eu não sou boa
Companhia

Se o amor quer me deixar
Me deixe num domingo
Eu não vou reclamar
E posso até achar
Que ficar só é lindo

Domingo a minha vida é o circo
Eu sou a trapezista
Alguém avise à dor
Que não insista

Tristeza, hoje eu não estou
Saudade, volte outro dia
Domingo eu não sou boa
Companhia

"Domingo" - Maria Bethania

'Décimo Sexto Castelo de Holanda'

Foto: "Musicalidade Escrita" - Ana Raquel Joaquim


"Às vezes escrevo num caderno
pequenas frases. Coisas sem
nexo e sem nenhuma legitimidade
para um dia poderem dar lugar a
um verso. Escrevo-as de noite
a meio do sono e no dia seguinte
não sei que sentido lhes possa
atribuir. E o que quererão dizer
as que p'la madrugada de ontem
anotei?
«O chão seco da tua morte. O
duplo touro.
Cilindros de oiro. De quem era
a sala das sombras? Coisas de
vaidade, o meu relógio, o globo
onde lês as cidades do mundo.»
Às vezes deixo-me ficar sentado,
como agora estou a esta mesa no
quarto do hotel
e os sentidos prendem-se a essas
palavras que valem o que vale
uma viagem ao extremo da maior
melancolia da noite. "




João Miguel Fernandes Jorge
in O Barco Vazio, Editorial Presença

16 janeiro 2010

That's It! =D

Sempre o sentir...

Pintura: "The Thought Which Sees" - Rene Magritte

"Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.

Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.

Sursum corda! Erguei as almas! Toda a Matéria é Espírito,

Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
Sursum corda! Na noite acordo, o silêncio é grande,
As coisas, de braços cruzados sobre o peito, reparam

Com uma tristeza nobre para os meus olhos abertos
Que as vê como vagos vultos noturnos na noite negra.
Sursum corda! Acordo na noite e sinto-me diverso.
Todo o Mundo com a sua forma visível do costume
Jaz no fundo dum poço e faz um ruído confuso,

Escuto-o, e no meu coração um grande pasmo soluça.

Sursum corda! ó Terra, jardim suspenso, berço
Que embala a Alma dispersa da humanidade sucessiva!
Mãe verde e florida todos os anos recente,
Todos os anos vernal, estival, outonal, hiemal,
Todos os anos celebrando às mancheias as festas de Adônis
Num rito anterior a todas as significações,
Num grande culto em tumulto pelas montanhas e os vales!
Grande coração pulsando no peito nu dos vulcões,
Grande voz acordando em cataratas e mares,
Grande bacante ébria do Movimento e da Mudança,
Em cio de vegetação e florescência rompendo
Teu próprio corpo de terra e rochas, teu corpo submisso
A tua própria vontade transtornadora e eterna!
Mãe carinhosa e unânime dos ventos, dos mares, dos prados,
Vertiginosa mãe dos vendavais e ciclones,
Mãe caprichosa que faz vegetar e secar,
Que perturba as próprias estações e confunde
Num beijo imaterial os sóis e as chuvas e os ventos!

Sursum corda! Reparo para ti e todo eu sou um hino!
Tudo em mim como um satélite da tua dinâmica intima
Volteia serpenteando, ficando como um anel
Nevoento, de sensações reminescidas e vagas,
Em torno ao teu vulto interno, túrgido e fervoroso.
Ocupa de toda a tua força e de todo o teu poder quente
Meu coração a ti aberto!
Como uma espada traspassando meu ser erguido e extático,
Intersecciona com meu sangue, com a minha pele e os meus nervos,
Teu movimento contínuo, contíguo a ti própria sempre,

Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.

Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.

Sou uma chama ascendendo, mas ascendo para baixo e para cima,
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um globo
De chamas explosivas buscando Deus e queimando
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha lógica,
A minha inteligência limitadora e gelada.

Sou uma grande máquina movida por grandes correias
De que só vejo a parte que pega nos meus tambores,
O resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis,
E nunca parece chegar ao tambor donde parte ...

Meu corpo é um centro dum volante estupendo e infinito
Em marcha sempre vertiginosamente em torno de si,
Cruzando-se em todas as direções com outros volantes,
Que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço
Mas não sei onde espacial de uma outra maneira-Deus.

Dentro de mim estão presos e atados ao chao
Todos os movimentos que compõem o universo,
A fúria minuciosa e dos átomos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam,

A chuva com pedras atiradas de catapultas
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.

Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções!"


Álvaro de Campos

Pensamento do dia


"Esforçai-vos por tomar consciência de que tendes à vossa disposição faculdades bem superiores ao intelecto. O intelecto só é um bom instrumento de trabalho para o estudo e a exploração da matéria. Mas, mesmo na vida quotidiana, ele não é o melhor guia, não só porque tem uma percepção apenas parcial da realidade, mas também, e sobretudo, porque no fundo de tudo o que ele decide empreender existe um propósito escondido, um interesse, um calculismo egoísta, que acabará sempre por provocar perturbações. Um homem que se deixa guiar pelo seu intelecto, assim que faz um sacrifício, que tem um gesto generoso, arrepende-se, acha que foi muito parvo ao escutar os conselhos do seu coração e da sua alma. O intelecto não consegue conceber como a fraternidade se realizará entre todos os homens, como se formará na terra uma só família, como o mundo inteiro viverá em paz e harmonia. Ele não consegue elevar-se suficientemente alto para descobrir os verdadeiros remédios, as verdadeiras soluções. O que ele imagina, o que ele propõe a partir da sua visão incompleta e egocêntrica das coisas, é sempre defeituoso e não resolverá nada de forma definitiva. Existem soluções para todos os problemas que se colocam aos humanos, mas para as encontrar é necessário apelar para o coração, a alma e o espírito."

Omraam Mikhaël Aïvanhov

11 janeiro 2010

Pensamento do dia (para variar =P)





"Nenhum ser humano na terra está livre do sofrimento. Só que é preciso saber que há sofrimentos úteis, benéficos, e outros inúteis e até nocivos. Os sofrimentos inúteis são os que a própria pessoa cria ao transgredir as leis da honestidade, da justiça, da bondade, da sabedoria, do amor, e esses não merecem compaixão. Os sofrimentos úteis são os do homem que ama os outros e que quer, sinceramente, ajudá-los: ele é obrigado a arrancar todos os dias algo do seu coração, a despojar-se do seu egoísmo, dos seus preconceitos, pois, para ajudar os outros, não basta apresentar-se com boas intenções e bons sentimentos, há todo um trabalho de ajustamento interior a fazer. Este trabalho exige sacrifícios, é difícil, doloroso, mas é tão benéfico!"


Omraam Mikhaël Aïvanhov


É difícil aceitar que um acontecimento 'mau' possa trazer algo de bom, ou possa vir a ser benéfico, embora a longo prazo.
É difícil, mas não é impossivel.
E, por vezes, se pararmos para pensar no que aconteceu, no que dissemos/fizémos e da resposta que tivemos do outro, ou do Universo, conseguimos perceber onde errámos, ou o que nos afectou no outro.
Cabe-nos a nós, termos consciência da nossa acção e do que nos afectou.
Ao tomarmos consciência uma vez, a próxima dificilmente nos passará ao lado: já saberemos identificar e no momento, pensar duas vezes.
Assim, evoluimos, em vez de continuarmos inconscientes e a errar sempre na mesma coisa, em vez de estarmos 'sempre a bater na mesma tecla'.
Apenas é necessário sermos conscientes de nós próprios.

10 janeiro 2010

... eu já despertei...


"É da natureza do ser humano o desejo de desafios, de expansão e de auto-conhecimento. Quanto mais conscientes nos tornamos, mais profunda será a nossa compreensão e responsabilidade perante a vida. Quando sentimos o “despertar”, surge o desejo se saber quem realmente somos, daí a vontade de crescimento pessoal, de potenciar o melhor que existe dentro de nós como seres humanos, de encontrar a nossa vocação e fazer dela o nosso projecto de vida. "


Gures

"Tu chamas-me, amor, eu apanho um táxi"

Foto: "Perdidas no Caminho" - Ana Raquel Joaquim (rakiely)

Tu chamas-me, amor, eu apanho um táxi,
cruzo a desmedida realidade
de fevereiro para ver-te,
o mundo transitório que me oferece
no assento de trás
uma oculta abóbada de sonhos,
luzes intermitentes como conversas,
letreiros acesos na brisa,
que não são destino,
mas que estão escritos por cima de nós.

Eu sei que as tuas palavras não terão
esse tom luxuoso, que os ares
inquietos do teu cabelo
guardarão a nostalgia artificial
do sótão sem luz onde me esperas,
e que por fim de manhã
ao acordar-te,
entre esquecimentos a meias e detalhes
fora de contexto,
terás piedade ou medo de ti mesma,
vergonha ou dignidade, incerteza
e talvez o luxurioso mal-estar,
o golpe que nos deixam
as histórias contadas numa noite de insónia.

Mas também sabemos que seria
pior e mais custoso
levá-las a casa, não esconder o seu cadáver
no fumo dum bar.
Eu venho sem idiomas desde a minha solidão,
e sem idiomas vou até à tua.
Não há nada a dizer,
mas suponho
que falaremos nus sobre isto,
pouco depois, tirando-lhe importância,
avivando os ritmos do passado,
as coisas que estão longe
e que já não nos doem.





09 janeiro 2010

pensamento do dia...


"A Ciência Iniciática compreende a oração como o encontro da nossa alma com o Espírito Cósmico e do nosso espírito com a Alma Universal. É este encontro que dá a força à nossa oração. Quem imagina que orar é dirigir reclamações ao Senhor: «Preciso de dinheiro... preciso de uma casa... quero casar... faz desaparecer os meus inimigos», talvez não seja atendido e, sobretudo, nunca descobrirá as verdadeiras dimensões do seu ser profundo. O sentido da oração, como de todos os exercícios espirituais, é provocar o encontro de algo em nós com uma entidade da mesma natureza no Universo, que lhe é complementar. Produz-se então uma espécie de cruzamento, que é o maior segredo da religião: a alma humana (feminina) procura o Espírito Divino (masculino) e o espírito humano (masculino) procura a Alma Universal (feminina). A nossa alma é fertilizada pelo Espírito Cósmico e o nosso espírito fertiliza a Alma Universal. É graças a este cruzamento que nos tornamos criadores no mundo espiritual, e é isso, verdadeiramente, orar."


Omraam Mikhaël Aïvanhov

21 dezembro 2009

parabéns (atrasados) a mim e à Ana =P


"Faz um ano que nos encontrámos
aqui.
duas jovens mulheres,
duas jovens vidas,

ainda por começar,
ainda por despertar para a sua verdadeira essência.
nao interessa o que mudámos.
interessa o que somos,
agora

neste momento,
como em todos os momentos,
somos mais do que nós:
somos quem conhecemos,
somos os eventos que nos mudaram,

somos quem queremos,
somos quem vira a pagina de mais um ano,
somos quem recita,
somos quem lê,
somos quem ouve,
somos quem vive,
quem nos vive,
quem nos sente e nos permite ser o nosso ser.

somos, vocês
nos sorrisos e nas lágrimas,
na partilha

somos o vosso espelho
tal como voces o nosso,
no conhecimento mútuo

na redescoberta do universo,
do nosso lugar no universo,

do nosso lugar na jornada,
que é a vida. "

by Rakiely e Carol

Um enorme obrigado a todos pela presença e pelos sorrisos!!!
Para o ano há mais! xD

Rakiely e Carol

20 dezembro 2009

Falando em mudança...


"Por que é que gastais a vossa vida a correr atrás de aquisições que não são tão importantes como a própria vida? Se pensásseis primeiro na vida que está em vós, para a protegerdes, a preservardes na maior pureza, teríeis cada vez mais possibilidades de realizar os vossos melhores desejos. É precisamente essa vida iluminada, esclarecida, intensa, que pode dar-vos tudo. A partir do momento em que recebestes a vida, pensais que podeis fazer dela seja o que for… Mas não! Quando tiverdes trabalhado durante anos para satisfazer as vossas ambições, um dia estareis tão esgotados, tão gastos, que, se puserdes na balança o que obtivestes e o que perdestes, aperceber-vos-eis de que perdestes quase tudo para ganhar muito pouco. E isso será inteligente?... Daqui em diante, esforçai-vos por trabalhar unicamente para embelezar a vossa vida, para a purificar, a santificar. Só a vida pura, harmoniosa, intensa, pode ir tocar, nas regiões subtis do espaço, correntes e entidades que virão ajudar-vos e inspirar-vos."

Omraam Mikhaël Aïvanhov

19 dezembro 2009

'Arte Doméstica'

Fotografia: 'Tocando o Céu' - Ana Raquel Joaquim (Rakiely)

"Não procures saber por que é
que um corpo triste
é um pleonasmo enorme. Deita-te
à sombra dos versos
como se as cidades fossem perdoáveis,
como se houvesse um nome,
esse nome fosse teu
e resplandecesse em sonora treva.

Despeja os cinzeiros com prudência
antes de o sono não te responder
e convoca o silêncio possível,
enquanto num televisor próximo
a guerra se adia e os olhos esmorecem.
Podes sempre fingir que não vês
nem ouves o céu sulcado de enjoo,
os gritos mortais das crianças.

Um dia na vida, alugado, apesar
do relógio da vizinha,
sempre tão certo, e do autoclismo
a pingar, também certo,
a dizer-te uma qualquer coisa nula
que deitas fora junto com os cigarros de ontem.

Tens tempo para o teu testamento,
esse último poema sem destinatário
(e não te perguntes o que irá o Estado
fazer com tanto Bach e família,
pois nessa altura estarás
finalmente surdo). Alegra-te
com o vento inerte de Junho, a saudar-te
entre latidos de cães alheios.

E, sobretudo, não procures nunca saber."




Manuel de Freitas
in Os Infernos Artificiais, Frenesi

(daqui)

13 dezembro 2009

...falando em desapego...


Why do I desire
What I do not need?
Why does my soul, like fire,
Or a hot abstract greed,
Seek all that is higher?

Why, if not because
It is a soul?
Who can know the cause
When it lies in its whole
Hidden in laws?

Yet this matters not.
What matters is pining
And that stress of thought
That comes of diving
What to wish that may not be got.


Fernando Pessoa
"Poemas ingleses"

10 dezembro 2009

Motion of life.


"Onde estás?

- Aqui.


Que horas são?

- Agora.


O que estás a fazer?

- A viver o momento"




02 dezembro 2009

ora toma la para ver se acordas miúda...


"Que espectáculo encantador, o dos esforços que uma criança fazpara aprender a andar! Ela vacila, cai, levanta-se, volta a caire levanta-se de novo… Ao passo que um ancião que cai tem deesperar que venham levantá-lo; e, quando o levantarem, pode sernecessário levá-lo ao hospital.Que lição há a tirar destes dois exemplos? A criança e o anciãosimbolizam as duas atitudes que o homem pode adoptar na conduçãoda sua vida. Há imensas pessoas que, tendo decidido trabalharsobre si mesmas para se melhorarem, se detêm ao primeiroinsucesso, à primeira queda, dizendo: «Estou farto! Não tentareisegunda vez!» Pois bem, no seu carácter, na sua alma, nos seuspensamentos, essas pessoas são velhas; elas não entrarão noReino de Deus, pois o Reino de Deus é para as crianças; Jesusdisse-o: «Se não vos tornardes como as crianças, não entrareisno Reino dos Céus.» Vale a pena fazer milhares de tentativas, sefor necessário, e, quaisquer que sejam as quedas, reerguer-separa continuar a caminhar."

Omraam Mikhaël Aïvanhov

01 dezembro 2009

São Horas


9.00 am.
Toca o despertador.
Ela levanta-se, arranja-se, toma o pequeno-almoço, sozinha, na cozinha. Como sempre.
Cada movimento é feito lentamente como se de um passo cirúrgico se tratasse, como se dele dependesse a vida de alguém.
Vagueia pela casa, perdida entre quatro paredes. Perdida num mundo falso e mentiroso, num mundo imposto por quem nele não quer viver e por quem dele quer sair, mas não se digna a sair, nem sequer a tentar.
Senta-se no sofá, liga a televisão. Zapping para a frente, zapping para trás. Já percorreu todos os canais que tem. Muda a posição no sofá. Chamam-na para o almoço. ‘Já?!’ questiona-se Ela, que pensava ter acabado de acordar. São 2 da tarde.
Não sente vontade de comer. Come simplesmente por necessidade, porque tem de alimentar o corpo para ele se mexa nesta monotonia mórbida.
- ‘Come! Despacha-te! És sempre a mesma coisa…sempre a engonhar!’
-‘Eu não sou como tu, não gosto de comer como quem tem pressa de ir para o comboio. Gosto de comer devagar [não me apetece comer, pensa Ela]. Se estás com pressa, vai tratar da tua vida que eu trato da minha. Deixa-me comer em paz…[por favor…]’
- ‘Tem agora algum jeito?! Anda lá, come depressa, que quero ir trabalhar, mesmo não querendo, e não me quero empatar!’
-‘Se tens de ir trabalhar e estás com pressa, vai. Não preciso das tuas mãos para comer, não te empates por mim. Trata da tua vida’
-‘Não te estou a dizer que me empatas, estou a dizer para te despachares que tenho pressa! Mexe-te!’

Ela continua a comer ao seu ritmo, mas perde a fome. Desiste de continuar a refeição, se é que se pode chamar assim. Desiste de alimentar o corpo, tal como desistiu de se alimentar a si mesma, por comentários como este, por comentários com os quais vive constantemente. Comentários esses que lhe entraram pelos ouvidos e lhe penetraram a alma desde que chegou da maternidade. Se calhar, desde que foi concebida. Ou talvez antes ainda… quando não passava de um sonho de alguém.
Ela não come mais. Sai de casa com a Contradição. Tomam café. Contradição finge ser alguém que não é, para com os presentes no estabelecimento. ‘Ou será que ela é mesmo assim, e finge só para mim?’, pensa Ela.
Contradição segue para o trabalho. Ela volta para casa, para o sofá e para o zapping.
Ela sonha acordada com um mundo lá fora, com um mundo que não existe. Na verdade, sonha com um mundo que sabe existir, que já experienciou, mas que em casa não acreditam existir, porque não o aceitam. Não completamente. Dizem aceitar, mas da boca para fora. Já diziam os antigos: palavras… leva-as o vento.
Não dá nada de jeito na televisão. Sempre as mesmas séries, as mesmas linhas de texto, sempre frases ‘filosóficas’, frases ‘iluminadas’, frases feitas e falsas, frases que são ditas com obrigação e ‘por que ficam bem’, frases e sentimentos fingidos por um maço de papel verde com valor na bolsa, mas sem valor na alma e no coração. Sem amor.
Já são 18horas. O mundo gira, mas lá fora. Cá dentro, nestas quatro paredes, tudo continua estagnado. Ela olha para a rua, pelo pedaço de tecido pendurado na janela. Vê um sol dourado que, por hoje, já fez a sua função, mas que ninguém soube aproveitar, que ninguém soube ver ou dar valor.
Ela como que acorda, e decide fixar o Sol com o olhar fechado. Sente-se cheia, com vida. Lágrimas salgadas escorrem pela face delicada. Ela deixa-as cair… e cair… cair… Começa a sentir-se ela, na sua essência que ninguém consegue ver, apenas Ela. Apenas Ela a sente e sabe que existe.
Ela abre os olhos. O mundo que está à sua volta não é o seu. Agora Ela sente a coragem, a força que nunca teve.
Levanta-se do sofá, que sempre acompanhou a sua vida.
Contradição e esposo entram pela porta: ‘Então, sem fazer nada hein? Boa vida…’, comentam.
Ela vai ao quarto, ao seu mundo intimo, pega numa mochila de trapo, escolhe incensos, livros que tocaram a sua essência, amuletos e algumas fotografias. Ata um casaco à cintura e sai.
-‘Onde vais dessa maneira?!-não viste que estávamos a falar contigo?!’
-Estavam? Não dei conta. Viram que eu estava cá? Hm… não é habitual. De qualquer das formas, vou deixar de estar mesmo. Até à vista’

Ela sai pela porta que limita o mundo falso que lhe fora imposto. Sai rumo ao desconhecido.
Sai rumo ao Sol dourado…
Sai rumo ao infinito do seu ser.
Sai rumo à sua essência que não pode ser desperdiçada.
Sai rumo à demanda da sua alma.
São horas… horas de começar a ser Ela mesma.
Ela.


Ana Raquel Joaquim

30 novembro 2009

Pensamento do dia

"Quando vos sentis sós e abandonados, isso acontece muito
simplesmente porque vos deixastes fechar num círculo demasiado
limitado. Então, mudai um pouco a orientação ou a direcção dos
vossos interesses, das vossas actividades; atraireis do Universo
correntes e entidades que virão apoiar-vos e iluminar-vos.
Vou explicar-vos um método: alargai o círculo da vossa
actividade mental; se, até agora, o vosso centro de interesse se
restringiu a vós mesmos ou à vossa família, ou mesmo que sejais
Presidente da Câmara, Ministro ou… Presidente da República,
alargai ainda mais o círculo das vossas preocupações. Sim,
alargai-o até ao infinito, abarcai o sistema solar, o cosmos
inteiro. Já não vos sentireis tão pequenos, tão miseráveis, tão
abandonados e sós, pois tornar-vos-eis um factor benéfico para a
humanidade, tornar-vos-eis um verdadeiro criador."


Omraam Mikhaël Aïvanhov
(de: Pensamentos do Quotidiano, Edições Prosveta)

26 novembro 2009


"The Lovers" - Rene Magritte

" a diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. Aprende que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança. Beijos não são contratos e presentes não são promessas..."


William Shakespeare