"Let me be something good
Let me prove something real like I should
Let me embrace every single living thing
Let me be every single moment I ever misunderstood"
Smashing Pumpkins - United States
Porque hoje fez sentido ouvir isto... porque apesar da alegria que me invade agora que te tenho de novo, não sou imune ao que me envolve, embora tudo desapareça quando estamos juntos =)
"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples. Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra coisa, todos os dias são meus" - Alberto Caeiro
24 setembro 2008
21 setembro 2008
17 setembro 2008
Just the way things are now...
26 agosto 2008
Shadowboxer
Once my lover, now my friend
What a cruel thing to pretend
What a cunning way to condescend
Once my lover, and now my friend
Oh, you creep up like the clouds
And you set my soul at ease
Then you let your love abound
And you bring me to my knees
Oh, it's evil babe
The way you let your grace enrapture me
When well you know I'd be insane
To ever let that dirty game recapture me
You made me a shadowboxer, baby
I wanna be ready for what you do
I been swinging around 'cause
I don't know when you're gonna make your move
Oh, your gaze is dangerous
And you fill your space so sweet
If I let you get too close
You'll set your spell on me
So darlin' I just wanna say
Just in case I don't come through
I was onto every play
I just wanted you
Oh it's so evil, my love
The way you've no reverence to my concern
So I'll be sure to stay wary of you, love
To save the pain of once my flame and twice my burn
So I'm a shadowboxer, baby
I wanna be ready for what you do
I been swinging around at nothin
I don't know when you're gonna make your move
Yeah I'm a shadowboxer baby,
I wanna be ready for what you do
And I been swinging around me 'cause
I don't know when you're gonna make your move
Fiona Apple - Shadowboxer
25 agosto 2008
Dont Want to...
Sometimes its hard to make things clear
Or know when to face the truth
And I know when the moment is here
Ill open my heart and show you inside
My love has no pride
I feel with you Ive got nothing to hide
So open your eyes and see who I am
And not who you want for me to be
I am only myself, myself
I dont wanna lose you now
Were gonna get through somehow
I dont wanna lose you now or ever
cause baby Ive finally found
The courage to stand my ground
But if you want me, Ill be around forever
We all make mistakes
We all lose our way
But we stood the test of time and I hope
Thats the way it will stay
Its all up to you, to tell me to go
cause it wont be me to walk away
When youre all that I know
And I know that
I dont wanna lose you now
Were gonna get through somehow
I dont wanna lose you now or ever
cause baby Ive finally found
The courage to stand my ground
But if you want me, Ill be around forever
Gloria Estefan - Dont Wanna Lose You Now
and i really dont want to...even if it's better for both...
23 agosto 2008
Things You Said

I heard it from my friends
About the things you said
I heard it from my friends
About the things you said
But they know me better than that
They know me better than that
They know my weaknesses
I never tried to hide them
They know my weaknesses
I never denied them
I heard it from my friends
About the things you said
I heard it from my friends
About the things you said
How can a view become so twisted
How can a view become so twisted
They know my weaknesses
I never tried to hide them
They know my weaknesses
You tried them
I get so carried away
You brought me down to earth
I thought we had something precious
Now I know what it's worth
I heard it from my friends
About the things you said
I heard it from my friends
About the things you said
I've never felt so disappointed
Never felt so disappointed
They know my weaknesses
I never tried to hide them
They know my weaknesses
Thought that you liked them
They know me better than that
Depeche Mode - The Things You Said
Porque às vezes não são só as atitudes que magoam, que nos fazem pensar duas vezes em algo, as coisas que se dizem também contam...e ferem..deixam feridas por sarar...feridas abertas
Dói tanto cá dentro...
Etiquetas:
'Segredos frágeis e meus',
Músicas que descrevem...
22 agosto 2008
Escuridão - Jorge Palma
Não estou com grande disposição
P'ra outra enorme discussão
Tu dizes que agora é de vez
Fico a pensar nos porquês
Nós ambos temos opiniões
Fraquezas nos corações
As lágrimas cheias de sal
Não lavam o nosso mal
E eu só quero ver-te rir feliz
Dar cambalhotas no lençol
Mas torces o nariz e lá se vai o sol
Dizes vermelho, respondo azul
Se vou para norte, vais para sul
Mas tenho de te convencer
Que, às vezes, também posso...
Ter razão!
Também mereço ter razão
Vai por mim
Sou capaz de te mostrar a luz
E depois regressamos os dois
À escuridão
Se eu telefono, estás a falar
Ou pensas que é p'ra resmungar
Mas quando queres saber de mim
Transformas-te em querubim
Quero ir para a cama e tu queres sair
Se quero beijos, queres dormir
Se te apetece conversar
Estou numa de meditar
E tu só queres ver-me rir feliz
Dar cambalhotas no lençol
Mas torço o meu nariz e lá se vai o sol
Dizes que sou chato e rezingão
Se digo sim, tu dizes não
Como é que te vou convencer
Que, às vezes, também podes...
(escuridão)
Ter razão!
Também mereces ter razão
Vai por mim
És capaz de me mostrar a luz
E depois regressamos os dois
À escuridão
Atenção!
Os dois podemos ter razão
Vai por mim
Há momentos em que se faz luz
E depois regressamos os dois
À escuridão
Jorge Palma - Escuridão (Vai por mim)
03 agosto 2008
Trouble...

O no, I see,
A spider web is tangled up with me,
And I lost my head,
The thought of all the stupid things I'd said.
O no, what's this?
A spider web, and I'm caught in the middle,
So I turn to run,
The thought of all the stupid things I've done,
And I never meant to cause you trouble,
I never meant to do you wrong,
And I, well if I ever caused you trouble,
And oh no, I never meant to do you harm.
O no, I see,
A spider web and it's me in the middle,
So I twist and turn,
Here am I in my little bubble,
Singing I, I never meant to cause you trouble,
And I, I never meant to do you wrong,
And I, if I ever caused you trouble,
Oh, no I never meant to do you harm.
They spun a web for me,
They spun a web for me,
They spun a web for me.
Trouble - Coldplay
A spider web is tangled up with me,
And I lost my head,
The thought of all the stupid things I'd said.
O no, what's this?
A spider web, and I'm caught in the middle,
So I turn to run,
The thought of all the stupid things I've done,
And I never meant to cause you trouble,
I never meant to do you wrong,
And I, well if I ever caused you trouble,
And oh no, I never meant to do you harm.
O no, I see,
A spider web and it's me in the middle,
So I twist and turn,
Here am I in my little bubble,
Singing I, I never meant to cause you trouble,
And I, I never meant to do you wrong,
And I, if I ever caused you trouble,
Oh, no I never meant to do you harm.
They spun a web for me,
They spun a web for me,
They spun a web for me.
Trouble - Coldplay
Foto in: www.olhares.aeiou.pt
30 julho 2008
Modinha

Não, não pode mais meu coração
Viver assim dilacerado
Escravizado a uma ilusão
Que é só desilusão
Não, não seja a vida sempre assim
Como um luar desesperado
A derramar melancolia em mim
Poesia em mim
Vai, triste canção, sai do meu peito
E semeia emoção
Que chora dentro do meu coração
António Carlos Jobim & Elis Regina - "Modinha"
Viver assim dilacerado
Escravizado a uma ilusão
Que é só desilusão
Não, não seja a vida sempre assim
Como um luar desesperado
A derramar melancolia em mim
Poesia em mim
Vai, triste canção, sai do meu peito
E semeia emoção
Que chora dentro do meu coração
António Carlos Jobim & Elis Regina - "Modinha"
foto - olhares.aeiou.pt
16 julho 2008
Opiário
É antes do ópio que a minh'alma é doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.
Esta vida de bordo há-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
já não encontro a mola pra adaptar-me.
Em paradoxo e incompetência astral
Eu vivo a vincos de ouro a minha vida,
Onda onde o pundonor é uma descida
E os próprios gozos gânglios do meu mal.
É por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre visões de cadafalsos
Num jardim onde há flores no ar, sem hastes.
Vou cambaleando através do lavor
Duma vida-interior de renda e laca.
Tenho a impressão de ter em casa a faca
Com que foi degolado o Precursor.
Ando expiando um crime numa mala,
Que um avô meu cometeu por requinte.
Tenho os nervos na forca, vinte a vinte,
E caí no ópio como numa vala.
Ao toque adormecido da morfina
Perco-me em transparências latejantes
E numa noite cheia de brilhantes,
Ergue-se a lua como a minha Sina.
Eu, que fui sempre um mau estudante, agora
Não faço mais que ver o navio ir
Pelo canal de Suez a conduzir
A minha vida, cânfora na aurora.
Perdi os dias que já aproveitara
. Trabalhei para ter só o cansaço
Que é hoje em mim uma espécie de braço
Que ao meu pescoço me sufoca e ampara.
E fui criança como toda a gente.
Nasci numa província portuguesa
E tenho conhecido gente inglesa
Que diz que eu sei inglês perfeitamente.
Gostava de ter poemas e novelas
Publicados por Plon e no Mercure,
Mas é impossível que esta vida dure.
Se nesta viagem nem houve procelas!
A vida a bordo é uma coisa triste,
Embora a gente se divirta às vezes.
Falo com alemães, suecos e ingleses
E a minha mágoa de viver persiste.
Eu acho que não vale a pena ter
Ido ao Oriente e visto a índia e a China.
A terra é semelhante e pequenina
E há só uma maneira de viver.
Por isso eu tomo ópio. É um remédio
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a Vida faz-me tédio.
Fumo. Canso. Ah uma terra aonde, enfim,
Muito a leste não fosse o oeste já!
Pra que fui visitar a Índia que há
Se não há Índia senão a alma em mim?
Sou desgraçado por meu morgadio.
Os ciganos roubaram minha Sorte.
Talvez nem mesmo encontre ao pé da morte
Um lugar que me abrigue do meu frio.
Eu fingi que estudei engenharia.
Vivi na Escócia. Visitei a Irlanda.
Meu coração é uma avòzinha que anda
Pedindo esmola às portas da Alegria.
Não chegues a Port-Said, navio de ferro!
Volta à direita, nem eu sei para onde.
Passo os dias no smokink-room com o conde -
Um escroc francês, conde de fim de enterro.
Volto à Europa descontente, e em sortes
De vir a ser um poeta sonambólico.
Eu sou monárquico mas não católico
E gostava de ser as coisas fortes.
Gostava de ter crenças e dinheiro,
Ser vária gente insípida que vi.
Hoje, afinal, não sou senão, aqui,
Num navio qualquer um passageiro.
Não tenho personalidade alguma.
É mais notado que eu esse criado
De bordo que tem um belo modo alçado
De laird escocês há dias em jejum.
Não posso estar em parte alguma.
A minha Pátria é onde não estou.
Sou doente e fraco.
O comissário de bordo é velhaco.
Viu-me co'a sueca... e o resto ele adivinha.
Um dia faço escândalo cá a bordo,
Só para dar que falar de mim aos mais.
Não posso com a vida, e acho fatais
As iras com que às vezes me debordo.
Levo o dia a fumar, a beber coisas,
Drogas americanas que entontecem,
E eu já tão bêbado sem nada! Dessem
Melhor cérebro aos meus nervos como rosas.
Escrevo estas linhas. Parece impossível
Que mesmo ao ter talento eu mal o sinta!
O fato é que esta vida é uma quinta
Onde se aborrece uma alma sensível.
Os ingleses são feitos pra existir.
Não há gente como esta pra estar feita
Com a Tranqüilidade. A gente deita
Um vintém e sai um deles a sorrir.
Pertenço a um gênero de portugueses
Que depois de estar a Índia descoberta
Ficaram sem trabalho. A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes.
Leve o diabo a vida e a gente tê-la!
Nem leio o livro à minha cabeceira.
Enoja-me o Oriente. É uma esteira
Que a gente enrola e deixa de ser bela.
Caio no ópio por força. Lá querer
Que eu leve a limpo uma vida destas
Não se pode exigir. Almas honestas
Com horas pra dormir e pra comer,
Que um raio as parta! E isto afinal é inveja.
Porque estes nervos são a minha morte.
Não haver um navio que me transporte
Para onde eu nada queira que o não veja!
Ora! Eu cansava-me o mesmo modo.
Qu'ria outro ópio mais forte pra ir de ali
Para sonhos que dessem cabo de mim
E pregassem comigo nalgum lodo.
Febre! Se isto que tenho não é febre,
Não sei como é que se tem febre e sente.
O fato essencial é que estou doente.
Está corrida, amigos, esta lebre.
Veio a noite. Tocou já a primeira
Corneta, pra vestir para o jantar.
Vida social por cima! Isso! E marchar
Até que a gente saia pla coleira!
Porque isto acaba mal e há-de haver
(Olá!) sangue e um revólver lá pró fim
Deste desassossego que há em mim
E não há forma de se resolver.
E quem me olhar, há-de-me achar banal,
A mim e à minha vida... Ora! um rapaz...
O meu próprio monóculo me faz
Pertencer a um tipo universal.
Ah quanta alma viverá, que ande metida
Assim como eu na Linha, e como eu mística!
Quantos sob a casaca característica
Não terão como eu o horror à vida?
Se ao menos eu por fora fosse tão
Interessante como sou por dentro!
Vou no Maelstrom, cada vez mais pró centro.
Não fazer nada é a minha perdição.
Um inútil. Mas é tão justo sê-lo!
Pudesse a gente desprezar os outros
E, ainda que co'os cotovelos rotos,
Ser herói, doido, amaldiçoado ou belo!
Tenho vontade de levar as mãos
À boca e morder nelas fundo e a mal.
Era uma ocupação original
E distraía os outros, os tais sãos.
O absurdo, como uma flor da tal Índia
Que não vim encontrar na Índia, nasce
No meu cérebro farto de cansar-se.
A minha vida mude-a Deus ou finde-a...
Deixe-me estar aqui, nesta cadeira,
Até virem meter-me no caixão.
Nasci pra mandarim de condição,
Mas falta-me o sossego, o chá e a esteira.
Ah que bom que era ir daqui de caída
Pra cova por um alçapão de estouro!
A vida sabe-me a tabaco louro.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.
E afinal o que quero é fé, é calma,
E não ter estas sensações confusas.
Deus que acabe com isto! Abra as eclusas —
E basta de comédias na minh'alma!
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.
Esta vida de bordo há-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
já não encontro a mola pra adaptar-me.
Em paradoxo e incompetência astral
Eu vivo a vincos de ouro a minha vida,
Onda onde o pundonor é uma descida

E os próprios gozos gânglios do meu mal.
É por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre visões de cadafalsos
Num jardim onde há flores no ar, sem hastes.
Vou cambaleando através do lavor
Duma vida-interior de renda e laca.
Tenho a impressão de ter em casa a faca
Com que foi degolado o Precursor.
Ando expiando um crime numa mala,
Que um avô meu cometeu por requinte.
Tenho os nervos na forca, vinte a vinte,
E caí no ópio como numa vala.
Ao toque adormecido da morfina
Perco-me em transparências latejantes
E numa noite cheia de brilhantes,
Ergue-se a lua como a minha Sina.
Eu, que fui sempre um mau estudante, agora
Não faço mais que ver o navio ir
Pelo canal de Suez a conduzir
A minha vida, cânfora na aurora.
Perdi os dias que já aproveitara
. Trabalhei para ter só o cansaço
Que é hoje em mim uma espécie de braço
Que ao meu pescoço me sufoca e ampara.
E fui criança como toda a gente.
Nasci numa província portuguesa
E tenho conhecido gente inglesa
Que diz que eu sei inglês perfeitamente.
Gostava de ter poemas e novelas
Publicados por Plon e no Mercure,
Mas é impossível que esta vida dure.
Se nesta viagem nem houve procelas!
A vida a bordo é uma coisa triste,
Embora a gente se divirta às vezes.
Falo com alemães, suecos e ingleses
E a minha mágoa de viver persiste.
Eu acho que não vale a pena ter
Ido ao Oriente e visto a índia e a China.
A terra é semelhante e pequenina
E há só uma maneira de viver.
Por isso eu tomo ópio. É um remédio
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a Vida faz-me tédio.
Fumo. Canso. Ah uma terra aonde, enfim,
Muito a leste não fosse o oeste já!
Pra que fui visitar a Índia que há
Se não há Índia senão a alma em mim?
Sou desgraçado por meu morgadio.
Os ciganos roubaram minha Sorte.
Talvez nem mesmo encontre ao pé da morte
Um lugar que me abrigue do meu frio.
Eu fingi que estudei engenharia.
Vivi na Escócia. Visitei a Irlanda.
Meu coração é uma avòzinha que anda
Pedindo esmola às portas da Alegria.
Não chegues a Port-Said, navio de ferro!
Volta à direita, nem eu sei para onde.
Passo os dias no smokink-room com o conde -
Um escroc francês, conde de fim de enterro.
Volto à Europa descontente, e em sortes
De vir a ser um poeta sonambólico.
Eu sou monárquico mas não católico
E gostava de ser as coisas fortes.
Gostava de ter crenças e dinheiro,
Ser vária gente insípida que vi.
Hoje, afinal, não sou senão, aqui,
Num navio qualquer um passageiro.
Não tenho personalidade alguma.
É mais notado que eu esse criado
De bordo que tem um belo modo alçado
De laird escocês há dias em jejum.
Não posso estar em parte alguma.
A minha Pátria é onde não estou.
Sou doente e fraco.
O comissário de bordo é velhaco.
Viu-me co'a sueca... e o resto ele adivinha.
Um dia faço escândalo cá a bordo,
Só para dar que falar de mim aos mais.
Não posso com a vida, e acho fatais
As iras com que às vezes me debordo.
Levo o dia a fumar, a beber coisas,
Drogas americanas que entontecem,
E eu já tão bêbado sem nada! Dessem
Melhor cérebro aos meus nervos como rosas.
Escrevo estas linhas. Parece impossível
Que mesmo ao ter talento eu mal o sinta!
O fato é que esta vida é uma quinta
Onde se aborrece uma alma sensível.
Os ingleses são feitos pra existir.
Não há gente como esta pra estar feita
Com a Tranqüilidade. A gente deita
Um vintém e sai um deles a sorrir.
Pertenço a um gênero de portugueses
Que depois de estar a Índia descoberta
Ficaram sem trabalho. A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes.
Leve o diabo a vida e a gente tê-la!
Nem leio o livro à minha cabeceira.
Enoja-me o Oriente. É uma esteira
Que a gente enrola e deixa de ser bela.
Caio no ópio por força. Lá querer
Que eu leve a limpo uma vida destas
Não se pode exigir. Almas honestas
Com horas pra dormir e pra comer,
Que um raio as parta! E isto afinal é inveja.
Porque estes nervos são a minha morte.
Não haver um navio que me transporte
Para onde eu nada queira que o não veja!
Ora! Eu cansava-me o mesmo modo.
Qu'ria outro ópio mais forte pra ir de ali
Para sonhos que dessem cabo de mim
E pregassem comigo nalgum lodo.
Febre! Se isto que tenho não é febre,
Não sei como é que se tem febre e sente.
O fato essencial é que estou doente.
Está corrida, amigos, esta lebre.
Veio a noite. Tocou já a primeira
Corneta, pra vestir para o jantar.
Vida social por cima! Isso! E marchar
Até que a gente saia pla coleira!
Porque isto acaba mal e há-de haver
(Olá!) sangue e um revólver lá pró fim
Deste desassossego que há em mim
E não há forma de se resolver.
E quem me olhar, há-de-me achar banal,
A mim e à minha vida... Ora! um rapaz...
O meu próprio monóculo me faz
Pertencer a um tipo universal.
Ah quanta alma viverá, que ande metida
Assim como eu na Linha, e como eu mística!
Quantos sob a casaca característica
Não terão como eu o horror à vida?
Se ao menos eu por fora fosse tão
Interessante como sou por dentro!
Vou no Maelstrom, cada vez mais pró centro.
Não fazer nada é a minha perdição.
Um inútil. Mas é tão justo sê-lo!
Pudesse a gente desprezar os outros
E, ainda que co'os cotovelos rotos,
Ser herói, doido, amaldiçoado ou belo!
Tenho vontade de levar as mãos
À boca e morder nelas fundo e a mal.
Era uma ocupação original
E distraía os outros, os tais sãos.
O absurdo, como uma flor da tal Índia
Que não vim encontrar na Índia, nasce
No meu cérebro farto de cansar-se.
A minha vida mude-a Deus ou finde-a...
Deixe-me estar aqui, nesta cadeira,
Até virem meter-me no caixão.
Nasci pra mandarim de condição,
Mas falta-me o sossego, o chá e a esteira.
Ah que bom que era ir daqui de caída
Pra cova por um alçapão de estouro!
A vida sabe-me a tabaco louro.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.
E afinal o que quero é fé, é calma,
E não ter estas sensações confusas.
Deus que acabe com isto! Abra as eclusas —
E basta de comédias na minh'alma!
"Opiário" - Álvaro de Campos
Simplesmente adoro =D
12 julho 2008
07 julho 2008
I was on my way...

I was on my way
to the center of the sun
when i lost my wings
and i fell into the crowd
and they carried me
to a hole in the ground
and they burried me
where no one can see
and no one would be around
i
i am a virus
i
i live in silence
i
I was on my way
to a city in the clouds
when i lost my mind
and i had to settle down
then i had a dream
of an island in the sea
where the lepers die
where no one survives
where no one can hear their cries
i
i am a virus
i
i live in silence
i
just like heathens thinking on our feat
believe in god
we're one step
two step
three steps towards the graveyards
hello to the memory
it seems that we forgot
"Bring 'em back alive" - Audioslave
Agora não páro de ouvir estes senhores...
O estado de espírito pede-o
Enquanto que a vontade de escrever parece que se desvanece, ou que se perde momentaneamente...
Perde-se tal como eu por vezes me perco na imensidão da vida,
Enquanto procuro um caminho para seguir
Ou enquanto percorro um
Que, tal como um rio,
Tem os seus precalços,
Os seus obstáculos
As curvas que tem de contornar,
Os detritos que tem de transportar consigo
E, com o passar do tempo,
Sinto que esse detritos são pedaços de mim
Que ficam para trás...
Quiçá perdidos
A procura continua
Tal como a caminhada
Há um longo caminho a percorrer
Cada vez mais íngreme
Mais dificil
Mas a persistência permanece
Não vou desistir
Simplesmente não posso
Não agora...
Que me sinto tão perto...
E tão longe...
Ana R. Joaquim
Etiquetas:
'Segredos frágeis e meus',
Músicas que descrevem...
Try Walking in my Shoes...

I would tell you about the things
They put me through
The pain Ive been subjected to
But the lord himself would blush
The countless feasts laid at my feet
Forbidden fruits for me to eat
But I think your pulse would start to rush
Now Im not looking for absolution
Forgiveness for the things I do
But before you come to any conclusions
Try walking in my shoes
Try walking in my shoes
Youll stumble in my footsteps
Keep the same appointments I kept
If you try walking in my shoes
If you try walking in my shoes
Morality would frown upon
Decency look down upon
The scapegoat fates made of me
But I promise you, my judge and jurors
My intentions couldnt have been purer
My case is easy to see
Im not looking for a clearer conscience
Peace of mind after what Ive been through
And before we talk of repentance
Try walking in my shoes
Try walking in my shoes
Youll stumble in my footsteps
Keep the same appointments I kept
If you try walking in my shoes
If you try walking in my shoes
Try walking in my shoes
Now Im not looking for absolution
Forgiveness for the things I do
But before you come to any conclusions
Try walking in my shoes
Try walking in my shoes
Youll stumble in my footsteps
Keep the same appointments I kept
If you try walking in my shoes
Now Im not looking for absolution
Forgiveness for the things I do
But before you come to any conclusions
Try walking in my shoes
Try walking in my shoes
Youll stumble in my footsteps
Keep the same appointments I kept
If you try walking in my shoes
Try walking in my shoes
If you try walking in my shoes
Try walking in my shoes
'Walking in my shoes' - Depeche Mode
Etiquetas:
'Segredos frágeis e meus',
Músicas que descrevem...
02 julho 2008
"Soneto do Cativo"

Soneto do Cativo
Se é sem dúvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias,
tão longe da verdade e da invenção;
o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que os outros dirão ou não dirão;
se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;
não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamnete preso!
David Mourão Ferreira
30 junho 2008
"O Meu Olhar é Nítido como um Girasol..."

O meu olhar é nítido como um girassol,
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e a esquerda
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei Ter o pasmo essencial que tem uma criança
Se ao nascer, reparasse que nasceras deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo
Creio no mundo como um malmequer
Porque o vejo, mas não penso nele
Porque pensar é não compreender
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia, tenho sentidos...
Se falo na natureza não é porque a amo, amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama.
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência
E a única inocência é não pensar.
Alberto Caeiro
28 junho 2008
20 junho 2008
Mesa - Vício de Ti
"Levei-te à cidade, mostrei-te ruas e pontes
sem receios atrai-te as minhas fontes
por inspiração passamos onde mais ninguém passou
ali algures algo entre nós se revelou. "
Etiquetas:
'Segredos frágeis e meus',
Músicas que descrevem...
13 abril 2008
[Novo] Amanhecer
Por vezes, basta um sorriso de alguém diferente, um olhar, ou uma simples palavra que nos faz mudar, que nos faz acordar para algo que estava diante de nós e não conseguíamos ver, ou simplesmente não o queriamos ver.
Amanhecer, um acordar de novo, tal como em cada dia, mas há uns que fazem a diferença...
Alguns simplesmente marcados pelo conhecimento de alguém que nos era desconhecido, outros por alguém que já conhecemos bastante bem mas que, tal como referi, nos faz acordar para a realidade que está lá fora à nossa espera e que temos de agarrar com todas as forças que temos se não, poderemos perder essa oportunidade de seguir em frente.
Fotografia By: Ana Joaquim , @Charneca, Lisboa (sim, parece o pôr-do-sol, mas não ....é o amanhecer =P)
Escrito enquanto ouvia: God Is an Astronaut - "All is violent, All is Bright" (o video está mau..mas a musica é excelente! fica o link para a poderem ouvir ;) : http://br.youtube.com/watch?v=Oy4ONBgobi4 )
30 março 2008
Coisas Simples...
"Ás vezes é uma capelinha antiga ou apenas um retábulo numa pequenina igreja de aldeia, ou um enquadramento especial do mar entre pinheiros, ou uma loja de raridades, um alfarrabista ou simplesmente um bar onde, ao fim da tarde, actua um saxofonista solitário. Coisas que nós achamos deslumbrantes e que provavelmente não comovem ninguém"
in: "A Flor do Sal" - Rosa Lobato de Faria
13 março 2008
Algures num recanto de Lisboa...
Subscrever:
Mensagens (Atom)



